Última semana antes da eleição, e o Congresso segue sem votar. Quem mexeu no jogo foi o governo: por medida provisória, as bets estão proibidas no Brasil.
DESTAQUE
6/10
dia em que sites e aplicativos de apostas saem do ar
1,3 milhão
inadimplentes por causa das apostas, segundo a CNC
R$ 5,15 bi
em impostos a menos em 2027, pela conta do governo
O que é. A Medida Provisória 1.394, publicada em 25/09, proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa, as bets. Vale também para empresas no exterior que atendem brasileiros. O saque dos saldos vai até 5/10.
Em que pé está. A MP já está em vigor, mas só vira lei se Câmara e Senado a aprovarem em até 120 dias. As empresas autorizadas perdem a licença em 25/10, sem indenização e sem devolução do que pagaram pelas outorgas. As multas chegam a R$ 2 bilhões.
O que muda na sua vida. O problema é real: 1,3 milhão de pessoas já se endividaram por causa das bets. Mas proibir não acaba com a vontade de apostar. A experiência internacional mostra que, onde a proibição avança, a atividade migra para a clandestinidade. Quem já tem o vício continua apostando, só que fora do radar do Estado: sem limite de valor, sem alerta e sem proteção.
A posição do Livres. Banir um serviço não elimina a demanda. Só tira o Estado de cena. O caminho é regular com firmeza:
Fiscalização: órgão regulador forte, integrado às autoridades financeiras e com auditorias regulares.
Tipos de jogo: regras diferentes para as apostas esportivas e para os jogos instantâneos, como o "tigrinho", feitos para acelerar o vício.
Proteção: educação financeira e alertas reais para quem aposta.
Proibir sem fiscalizar não é proteger.
É empurrar o problema para longe do Estado.
RADAR
Pacote do governo soma R$ 411,2 bi em ano eleitoral. Gasto e crédito subsidiado sem fonte clara pressionam a dívida e os juros.
Confiança da indústria cai pelo 3º mês. A produção prevista é a menor desde 2020, e quem produz menos contrata menos.
STF iguala a licença de todas as mães. Quem adota passa a ter os mesmos 120 dias, prorrogáveis por mais 60, de quem dá à luz.
R$ 103,4 bi em precatórios de usinas vão ao plenário. Se bastar estudo genérico, sem perícia, a União paga mais e sobra menos no Orçamento.
STF flagra comando escondido para enganar a IA da Corte. Manipular a IA do tribunal é má-fé e dá multa.
STF analisa recurso sobre campanhas de boicote. Se a decisão for mantida, entidades podem pedir boicote a eventos e só respondem se agirem de má-fé.
PLACAR
▲ Avançou
MP das bets já vale
STF: licença igual para todas as mães
STF: precatórios de usinas vão ao plenário
▼ Travou
Câmara e Senado: sem votação em plenário
Indústria: terceira queda seguida na confiança
MONITORAMENTO COMPLETO DA SEMANA
Notícias da semana
Medida provisória proíbe o funcionamento de bets no Brasil.
FGV: confiança da indústria cai em setembro pelo terceiro mês seguido.
Pacote de medidas do governo soma R$ 411,2 bilhões a sete dias das eleições, segundo levantamento do Poder360.
China e Estados Unidos concordam em reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias.
STF unifica critérios e prazos da licença-maternidade para todas as mães, biológicas e adotantes.
Câmara dos Deputados e Senado Federal
Plenário: semana sem votações e debates no Congresso.
Supremo Tribunal Federal
Decisão sobre a punição pelo uso de comandos ocultos em uma petição para influenciar a inteligência artificial da Corte (prompt injection).
Julgamento da ação que questiona trechos de uma lei do Rio Grande do Sul que permitem ao governo adotar medidas para privatizar a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan).
Análise da validade de uma lei do Ceará que criou a chamada reserva legal extrapropriedade.
Análise de recurso contra a decisão que considerou protegidas pela liberdade de expressão as campanhas de mobilização social de entidades da sociedade civil, baseadas em direitos fundamentais e destinadas a desestimular o apoio a determinados eventos.
Julgamento do pagamento de precatórios bilionários ao setor sucroalcooleiro, para definir se a União deve indenizar as usinas com base em estudo genérico de danos ou só depois de perícia individualizada.